Que adultos devem receber as vacinas?
Os adultos podem ser divididos em várias categorias com necessidades de vacinação diferentes: adultos normais (19 a 65 anos), idosos (com mais de 65 anos), adultos com doenças predisponentes, adultos com risco ocupacional, adultos com risco comportamental, adultos submetidos à exposição ambiental e gestantes.
Adultos normais
A tabela 1 mostra o calendário de vacinação para um adulto que nunca tenha se vacinado. Atualmente, é bastante raro alguém nessa situação. Normalmente, as crianças começam o esquema vacinal ainda na maternidade, continuando durante a fase escolar. Um adulto normal deve ter recebido na infância três doses da vacina de toxóide tetânico e diftérico. Caso não tenha recebido, deve-se proceder como mostrado na tabela 1. O toxóide tetânico precisa ser aplicado rotineiramente a cada 10 anos ou de acordo com a tabela 2 na profilaxia do tétano após ferimento.
Tabela 1 - Esquema de vacinação para pessoas com sete anos ou mais (sem comprovação de vacinação anterior)*
Intervalo entre as doses | Vacina | Esquema | ||
Primeira visita | BCG** Sarampo-Caxumba-Rubéola** DT - Dupla Tipo Adulto Poliomielite (Oral)** | Dose Única Dose Única Primeira Dose Primeira Dose | ||
Dois meses após a primeira dose | DT - Dupla Tipo Adulto Poliomielite (Oral)** Febre Amarela*** | Segunda Dose Segunda Dose Dose Inicial | ||
Seis meses após a segunda dose | DT - Dupla Tipo Adulto Poliomielite (Oral)** | Terceira Dose Terceira Dose | ||
A cada dez anos e por toda a vida **** | DT - Dupla Tipo Adulto | Reforço | ||
* Caso a pessoa apresente documentação com esquema de vacinação incompleto, é suficiente completar o esquema já iniciado.
** As vacinas BCG, contra o sarampo-caxumba-rubéola, e oral contra a poliomielite são indicadas, prioritariamente, para pessoas com até 15 anos de idade.
*** Nas regiões onde houver indicação, de acordo com a situação epidemiológica. Reforço a cada dez anos.
**** Em caso de gravidez e na profilaxia do tétano após alguns tipos de ferimento, deve-se reduzir este intervalo para cinco anos.
BCG: vacina contra a tuberculose
dT: vacina dupla, tipo adulto, contra a difteria e o tétano
Fonte: Centro de Vigilância Epidemiológica
Tabela 2 - Profilaxia do tétano após ferimento
Histórico de imunização contra o tétano | Ferimento limpo e superficial | Outros ferimentos | ||
Vacina# | Imunização passiva‡ | Vacina# | Imunização passiva‡ | |
Incerta ou menos de 3 doses* | Sim | Não | Sim | Sim |
Três ou mais doses, última dose há mais de 5 anos | Não | Não | Não | Não |
Última dose entre 5 e 10 anos | Não | Não | Sim | Não |
Última dose há mais de 10 anos | Sim | Não | Sim | Não |
*Sempre aproveitar a oportunidade para completar o esquema vacinal
#Vacina tipo dupla adulto
Imunização passiva – preferencialmente imunoglobulina humana antitetânica na dose de 250U por via intramuscular.
Os adultos devem ser vacinados com a dupla adulto, não havendo necessidade de repetir a vacina contra a coqueluche que é uma doença mortal somente em crianças pequenas, e a vacina é associada a risco de complicações no adulto.
O tétano no Brasil tem um comportamento semelhante ao de países desenvolvidos, com casos exclusivamente entre os idosos que não tomaram o esquema vacinal inicial nem os reforços nas décadas subseqüentes. O reforço da vacina deve ser feito a cada dez anos, embora haja dados mostrando que a imunidade dura mais tempo.
A vacina do tétano é composta pelo toxóide inativado que pode ser usado individualmente contra o tétano ou conjugado com a difteria (dupla adulto). Os efeitos adversos costumam ser no local da aplicação e aumentam de acordo com o número de doses que a pessoa já tomou. Por conta disso, doses desnecessárias devem ser evitadas. A única contra-indicação é uma reação anafilática ou alterações neurológicas prévias em episódio anterior de aplicação.
Idosos
O sistema imune do idoso é menos eficaz no combate às infecções. As alterações imunológicas iniciais podem ser observadas a partir dos 50 anos, o que levou alguns países do mundo, como os Estados Unidos, a preconizarem a vacina contra a influenza a partir dos 50 anos. Outra proposta é a de um reforço obrigatório da vacina antitetânica aos 50 anos. Recomenda-se, no idoso, a vacinação contra o vírus da influenza A e B e contra o pneumococo. O sistema imunológico dos idosos é mais suscetível a doenças, por isso é importante a vacinação
Risco ocupacional
Os profissionais da saúde, por apresentarem risco maior de entrar em contato com pacientes infectados ou com as secreções produzidas pelo corpo dos pacientes, devem ser vacinados tanto para sua própria proteção quanto para a dos pacientes que são suscetíveis às doenças porque nunca entraram em contato previamente. Eles devem ser vacinados contra sarampo, rubéola, caxumba, hepatite B e influenza. Às vezes, pode ser necessária a vacinação contra varicela nos que não tiveram a doença.
Risco comportamental
Os usuários de drogas e os com comportamento sexual de risco devem ser vacinados contra as hepatites A e B.
Contactantes domiciliares de pacientes infectados pela hepatite B
Apesar de rara, a transmissão da hepatite B pode ocorrer por contaminação cutânea dos contactantes de pacientes com hepatite B. Portanto, contactantes de pessoas cronicamente infectadas pelo vírus B (pacientes que desenvolveram hepatite crônica e, por isso, têm sempre o vírus nas secreções) também devem ser vacinados quando apresentarem sorologia negativa.
Residentes em instituições para deficientes mentais, asilos e casas de repouso
Aproximadamente 30 a 80% dos residentes em instituições para deficientes mentais são positivos para hepatite B. Portanto, é importante vacinar os contactantes ou moradores da instituição que apresentam sorologia negativa. As epidemias de influenza são muito comuns em asilos sendo recomendada a vacinação pelo menor risco de hospitalização e menor mortalidade.
Exposição ambiental
Os viajantes a áreas de risco devem ser vacinados de acordo com o risco específico da área para a qual está indo. As informações a esse respeito podem ser obtidas em dois sites: http://www.cdc.gov/travel/travel.html (em inglês) e http://www.cve.saude.sp.gov.br/.
Gestação
As gestantes não devem ser imunizadas com vacinas com vírus vivos. As adolescentes devem receber um reforço da vacina contra a rubéola na adolescência porque a rubéola se associa a defeitos congênitos na criança quando a mãe se contamina durante a gravidez. Vacinas com toxóides tetânicos e diftéricos devem ser administradas em duas doses a partir do segundo trimestre da gravidez nas gestantes não-imunes. As gestantes imunes, mas com o último reforço há mais de cinco anos, devem ser vacinadas com mais um reforço.
Vacinas em pacientes com diagnóstico de doenças específicas.
Várias doenças podem predispor o adulto ou idoso a algumas outras doenças preveníveis com a utilização de vacinas. A cobertura vacinal nessa população de risco continua muito baixa. A tabela 3 mostra os tipos de vacinas que devem ser aplicados em pacientes com diagnóstico de outras doenças e que estão predispostos a doenças preveníveis por vacinas.
Tabela 3 - Vacinas que devem ser aplicadas a pacientes com doenças específicas
+ | Vacinas recomendadas | |
Alcoolismo | Pneumococo, influenza | |
Pacientes sem baço (esplenectomizados) ou com problemas relacionados ao baço | Pneumococo, meningococo, hemófilos influenza tipo B | |
Cardiopatia grave | Influenza, pneumococo | |
Cirrose | Influenza, pneumococo, hepatite A | |
Diabetes mellitus | Influenza, pneumococo | |
Deficiência de complemento (doença do sistema imunológico) | Meningoco | |
Imunossupressão, leucemia, linfoma, uso de corticosteróides, quimioterapia, câncer generalizado | Influenza, pneumococos, hemófilos influenza tipo B | |
Doença renal crônica | Influenza, pneumococos | |
Diálise | Hepatite B | |
Doença pulmonar obstrutiva crônica | Influenza, pneumococos | |
Asma | Influenza | |
Gestação | Tétano | |
Vacinas de vírus vivos atenuados são geralmente contraindicadas em pacientes imunessuprimidos. Entretanto, pacientes HIV positivos assintomáticos e não gravemente imunessuprimidos devem receber vacina.
Os pacientes submetidos à diálise apresentam risco aumentado de infecção pelo vírus da hepatite B. Os melhores resultados com a vacinação contra a hepatite B são obtidos quando ela é feita antes do início do período em diálise.
Vacinação importante em idosos
Nos idosos, recomenda-se a vacinação contra o vírus da influenza A e B, contra o pneumococo e a varicela. Leia a seguir a importância da vacinação contra tais doenças.
Influenza
Quase 90% dos casos de morte por influenza acontecem em pessoas com mais de 65 anos. A eficácia da vacinação contra a influenza no idoso é de 30-40% (menor do que no adulto jovem, em que atinge 70-90%). Entretanto, a aplicação da vacina reduz o número de internações em 50-60% e a mortalidade em mais de 80%.
A vacina geralmente é composta por duas cepas do vírus A e uma do vírus B inativadas, escolhidas entre as cepas que causaram a doença no ano anterior. São vacinas extremamente seguras, contêm somente vírus não infecciosos e, por isso, podem ser utilizadas inclusive em imunossuprimidos. Os efeitos colaterais costumam ser no local da aplicação, com o aparecimento de inchaço e dor.
O Instituto Butantan, em São Paulo, inaugurou, em abril de 2007, a primeira fábrica de vacinas contra o vírus influenza na América Latina. A nova instalação deverá suprir a demanda de imunização gratuita para idosos contra a gripe.
Pneumococos
As infecções pelo pneumococo, especialmente a pneumonia, são uma das principais causas de morte em pacientes com mais de 65 anos. A vacina utilizada é composta por antígenos da cápsula de 23 cepas de pneumococos, portanto, engloba a maior parte das cepas de pneumococos que causam doença. É administrada no braço, na região do músculo deltóide (próximo ao ombro). A doença apresenta eficácia também contra outras cepas de pneumococos não incluídas na vacina. A vacina não reduz a incidência da doença em idosos, mas diminui a gravidade e a mortalidade pela doença.
Varicela zoster
A maior parte dos idosos está imune à varicela (catapora) por ter tido a doença quando criança. Entretanto, à medida que o sistema imunológico envelhece, aumenta a incidência de herpes zóoster. Como é uma vacina com vírus atenuados, não deve ser administrada em imunossuprimidos que são os pacientes com maior risco de doença. Já existe uma vacina feita com vírus inativados, mas são necessários mais estudos para seu uso ser indicado em idosos e imunossuprimidos.
Fonte:
Meireles LP. In: Benseñor et al., Medicina em Ambulatório. Editora Sarvier, 1ª edição, São Paulo, 2005. p. 78.